Ilha do Bananal - Brasil - TO

A Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo, cercada pelos rios Araguaia e Javaés. 

Numa expedição fotográfica, atravessámos de balsa o rio Javaé, onde abundam jacarés, piranhas, raias e pitons,  em visita à Aldeia Boto Velho, dos índios de etnia Iny (Javaé), no interior da ilha, 235 Kms a oés-sudoeste de Palmas. 

Aqui foi possivel fotografar a forma como pintam os corpos, que começa pela apanha de um fruto, o Jenipapo (do Jenipapeiro, da família Rubiaceae, a mesma do café), o mais maduro possivel, que depois de moído é misturado com borracha ou cinzas queimadas obtendo assim a cor preta. 

Pacientemente são feitas as pinturas no corpo, de motivos geométricos.

As pinturas demoram cerca de uma semana a sair da pele.

Nas margens do baixo Javaés, ao norte da atual aldeia Boto Velho, existiram muitas aldeias. As aldeias Kòtu Iràna e Iròdu Iràna eram conhecidas como antigos e famosos pontos de encontros rituais e trocas entre os Karajá, Javaé e Xambioá. Iròdu Iràna era conhecida como o local mítico onde o herói mítico Tanyxiwè roubou o fogo dos animais e, devido à sua localização espacial e à sua importância em termos de trocas, era considerada como uma espécie de “meio” ou “centro” do território maior ocupado pelas três etnias no vale do Araguaia. Em termos gerais, a região do baixo Javaés e a porção setentrional da ilha eram habitadas, desde tempos antigos, por aldeias em que famílias javaé e karajá viviam juntas.

Nas primeiras décadas do século 20, devido ao contato cada vez mais próximo com os invasores do território javaé, as novas doenças trazidas por criadores de gado, mineradores de cristal de rocha, caçadores, pescadores, missionários e agentes do Estado provocaram a morte da maior parte da população e a extinção das aldeias. Os sobreviventes deslocaram-se para as margens do rio Javaés, onde foram fundadas novas aldeias a partir dos anos 50.

Os Javaé perderam o controle sobre o uso dos recursos de boa parte do território tradicional e um número expressivo de sítios de aldeias e cemitérios antigos está ocupado por não-índios. Diferente dos Karajá, esse povo sofreu um dramático processo de deslocamento territorial, que os obrigou a abandonar as aldeias do interior e de fora da Ilha do Bananal e a se transferir maciçamente para as margens do rio Javaés.

(Fonte: https://pib.socioambiental.org )

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